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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

670 mortes no Rio de Janeiro

Posted by BLOGUEIRO EXECUTIVO 19:46, under ,, | No comments

Às vésperas de completar uma semana desde que ocorreu a maior tragédia climática do país nos últimos anos, tragédia esta que causou mais de 670 mortes na região serrana do Rio de Janeiro, as cidades atingidas pelas chuvas agora tentam se recuperar dos danos naturais e estruturais sofridos.

O primeiro dia em que o clima contribuiu, pois o sol apareceu, todo o comércio da Região Serrana do Rio reabre contabilizando seus prejuizos, os habitantes desta região a cada dia se deparam com uma estatística que aumenta a cada dia –a do número de corpos encontrados sob escombros e lama–, os moradores agora esperam a solidariedade àqueles que sobreviveram.

Ao mesmo tempo, o Exército anunciou hoje que foram realizadas vistorias para definir locais onde podem sem montadas pontes movéis para facilitar o escoamento da produção agropecuária e o acesso de moradores que ainda estão isolados na região.

Até agora, 661 corpos foram identificados, segundo a Polícia Civil do Estado. As mortes contabilizadas pelas prefeituras somam 674: Nova Friburgo (318), Teresópolis (274), distrito de Itaipava, Bom Jardim e Brejal, em Petrópolis (58), em Sumidouro (20) e em São José do Vale do Rio Preto (4).

Enquanto retiram a lama dos estabelecimentos e tentam se refazer do turbilhão, moradores colecionam histórias de salvamento e dor. Em Teresópolis, o vira-lata Caramelo, que ajudou a resgatar os corpos de seus donos, soterrados durante a chuva, não arredou pé da sepultura onde eles foram enterrados.

Uma pequena cidade também surpreendeu. Com cerca de 10 mil habitantes, Areal contabiliza até o momento 800 desabrigados e 80 casas destruídas, e nenhuma morte. Ao saber que uma tromba d'água se aproximava, o prefeito Laerte Calil mandou carros de som às ruas, alertando a população do perigo iminente.

"Fiquei preocupada pelos meus filhos. Tive medo que a gente fosse sumir no meio da terra", diz Adriana Figueiredo, 25, moradora de Nova Friburgo. Este e outros depoimentos ajudam a remontar uma madrugada de caos na semana passada.

Além das buscas, que continuam por tempo indeterminado, começou a funcionar em Itaipava um hospital de campanha igual ao do Haiti, montado por oficiais da FAB (Força Aérea Brasileira) –oficiais da saúde vão cuidar dos módulos da unidade, instalados no parque de exposições do município. A preocupação principal são as doenças infecto-contagiosas. As cidades atingidas também começaram, apesar da burocracia, a receber os primeiros recursos destinados às áreas afetadas.

O abastecimento foi retomado graças ao envio de mantimentos e a arrecadação de donativos. A Prefeitura de Nova Friburgo, no entanto, emitiu um apelo no início da tarde, sobre a necessidade urgente de envio de alimentos e cestas básicas. Segundo a assessoria da prefeitura, caminhões que levavam alimentos retornaram ao Rio de Janeiro ou se dirigiram a outras cidades ao ouvirem que as estradas rumo ao município estariam interditadas. "A estrada não está interditada e nós estamos precisando urgente de alimentos, porque nosso estoque está quase vazio", pede David Massena, secretário de Comunicação do município.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou a criação de um gabinete de reconstrução, coordenado pelo prefeito de Bom Jardim, Affonso Monnerat, para monitorar a situação. “Isso é muito importante porque temos que ter aqui um foco permanente na região. São José do Vale do Rio Preto, Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Bom Jardim, Sumidouro e Areal: são sete cidades muito machucadas. Temos todo um cronograma. Primeiro é dar dignidade aos vivos, cuidar das pessoas, e também resgatar com dignidade os mortos, além de recuperar as cidades”, afirmou o governador após visitar bairros assolados.

Assim como o número de mortos, cresce ainda a quantidade de desabrigados e desalojados pelas enchentes. Em Petrópolis, há 3.600 desalojados e 2.800 desabrigados. Teresópolis tem 1.300 desalojados e 1.200 desabrigados. Nova Friburgo tem 3.220 desalojados e 1.970 desabrigados.

O problema não é restrito, no entanto, ao Rio de Janeiro. O governo federal estima que existam atualmente aproximadamente 5 milhões de pessoas no país que vivem distribuidos em pelo menos 500 áreas de risco nos vinte sete estados da federação.

Além desse fato, importante também é ater-se ao contexto de que um sistema integrado de prevenção ficaria pronto somente daqui a quatro anos, em uma previsão inicial do mesmo governo federal que apurou a informação supracitada.

Saiba como podem ser feitas doações:

As cidades afetadas recebem doações de diversas partes do país.

Hoje os itens mais solicitados pelas prefeituras de Petrópolis, Nova Friburgo e pela Defesa Civil de Teresópolis estão sendo: velas e produtos de higiene pessoal (pasta de dente, escova de dente, xampu, sabonete, absorvente e fraldas descartáveis).

As prioridades de algumas cidades podem se diferenciar, por exemplo, em Petrópolis a demanda fora do básico padrão de solicitações supracitadas acima são mantimentos, material de limpeza, objetos de higiene pessoal, lençóis e roupa de cama. A cidade recebeu gratuitamente mais de 1,5 milhão de litros de água no sábado (15) e afirma que o abastecimento está praticamente normalizado.

Nova Friburgo por sua vez está tendo uma maior necessidade por água e vela. Também estão sendo pedidas com frequencia e assim postas como objetos necessários a doação roupas íntimas, talheres, pão de forma, produtos de higiene pessoal e fósforo. Sumidouro pede água, pó de café, feijão, enlatados, leite em pó, açúcar, material de higiene, fósforos, velas, isqueiros, cobertores, colchões, roupas de cama, mesa e banho, roupas de adultos e crianças, calçados.

Em Teresópolis, os itens de mais necessidade ainda são produtos de higiene pessoal (incluindo fralda descartável e geriátrica), vela, fósforo e roupas íntimas. A cidade reforça adicionalmente a solicitação de galochas e capas de chuva, que serão usados por profissionais e voluntários em campo.

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